Morre Leonard Nimoy

Morre o ator Leonard Nimoy, o eterno Spock de ‘Jornada nas estrelas’

Por o globo RJ | ATUALIZADO 27/02/2015

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Leonard Nimoy, o lendário Spock, de “Jornada nas estrelas”, morreu nesta sexta-feira, aos 83 anos. O ator, que ficou famoso pela série e pelos filmes de ficção científica, estava em sua casa em Los Angeles. De acordo com a viúva do astro, Susan Bay Nimoy, o ator sofria de doença pulmonar obstrutiva crônica.

Nimoy anunciou no ano passado que sofria da doença, atribuída ao hábito de fumar, que ele manteve por anos, tendo abandonado o cigarro há mais de três décadas. Ele estava internado desde segunda-feira em um hospital na Califórnia.

Suas atividades artísticas — poesia, fotografia e música, além da atuação — iam muito além da Federação dos Planetas Unidos, mas foi como Sr. Spock que Nimoy virou praticamente um herói do folclore, dando vida a um dos personagens mais inesquecíveis da segunda metade do último século: um embaixador vulcano cerebral e impertubável, com suas orelhas pontudas e a célebre saudação, seguida do sinal com os dedos: “Vida longa e próspera”.

Nimoy dava aulas de atuação em seu próprio estúdio quando foi escalado para “Star Trek”, série de televisão exibida em meados da década de 1960. Mais tarde, ele disse ter desenvolvido uma “identificação mística” com o personagem, o estrangeiro solitário da nave estelar.

No entanto, ele também reconhecia a ambivalência de ser amarrado ao personagem, deixando isso claro no título de suas duas autobiografias: “Eu não sou Spock”, publicada em 1977, e “Eu sou Spock”, de 1995.

Na primeira, ele escreveu: “com Spock, eu finalmente achei o melhor de dois mundos: ser extremamente reconhecido pelo público e ainda assim ser capaz de continuar interpretando o alienígena isolado através do personagem de Vulcano”.

A TRAJETÓRIA DE LEONARD NIMOY

  • Leonard NimoyFoto: Reprodução

“Star trek”, que estreou na rede NBC em 8 de setembro de 1966, fez de Nimoy um astro. Gene Roddenberry, o criador da franquia, o chamou de “a consciência de ‘Star trek'” — um programa ora sério, ora exagerado que empregava o futuro distante (assim como alguns efeitos especiais primitivos para os padrões atuais) para abordar questões sociais dos anos 1960.

Seu estrelato perdurou. Embora a série tenha sido cancelada depois de três temporadas por conta da baixa audiência, a devoção dos fãs foi mantida, inclusive quando “Star trek” deu origem a um desenho animado, a várias outras séries e a alguns filmes estrelados por parte do elenco original, incluindo — além de Nimoy — William Shatner (como o Capitão James Kirk), DeForest Kelley (Dr. McCoy), George Takei (Sulu), James Doohan (Scott), Nichelle Nichols (Uhura) e Walter Koenig (Chekov).

A sua predisposição para entreter foi além de “Star trek” e atravessou gêneros. Ele estrelou a série de TV “Missão impossível” e frequentemente atuou nos palcos, como na peça “Um violinista no telhado”. Escreveu poesias e publicou livros de fotografia. Também dirigiu filmes, incluindo dois da franquia “Star trek”, além de séries de TV. E gravou álbuns, nos quais cantava canções pop, assim como músicas sobre “Star trek” — para o deleite dos fãs e o espanto dos críticos.

Mas tudo isso era pequeno perto do Sr. Spock, o membro mais complexo da equipe da Enterprise: uma criatura e um amigo que às vezes travava uma batalha entre as suas metades raciais.

Num dos episódios mais marcantes, Nimoy buscou inspiração em dois atores que admirava, Charles Laughton e Boris Karloff, ambos intérpretes de personagens monstruosos — Quasimodo e Frankenstein — que são transformados pelo amor. No episódio 24, exibido pela primeira vez em 2 de março de 1967, Spock realmente se transforma. Sob a influência de esporos afrodisíacos que ele descobre no planeta Omicron Ceti III, liberta seu lado humano e anuncia seu amor por Leila Kalomi (Jill Ireland), uma mulher que havia conhecido na Terra. Nesse episódio, Nomoy levou à metamorfose de Spock não só carinho e compaixão, mas também um conceito rarefeito de alienação.

“Sou o que sou, Leila”, declarou-se o Sr. Spock. “E se houver purgatórios criados por nós mesmos, então todos nós temos que viver neles. Os meus não podem ser piores que os dos outros.”

Nascido em Boston em 26 de março de 1931, Leonard Simon Nimoy foi o segundo filho de Max e Dora Nimoy, imigrantes ucranianos e judeus ortodoxos. Seu pai era barbeiro. Quando fez 8 anos, Leonard atuou em produções locais, conquistando papéis numa escola da comunidade. Em 1949, depois de um curso de versão no Boston College, foi até Hollywood, embora só depois de 1951 tenha conseguido emplacar papéis pequenos em dois filmes, “Queen for a day” e “Rhubarb”.

Ele continuou sendo escalado para filmes desconhecidos, embora ele tenha, talvez de forma premonitória, interpretado um alienígena numa série cult chamada “Zombies of the stratosphere”. Em 1961, fez uma pequena participação em “Além da imaginação”. Seu primeiro papel como protagonista veio em 1952, em “Kid Monk Baroni”, no qual viveu um criminoso desfigurado que se torna um boxeador.

Ele dirigiu ainda a bem sucedida comédia “Três solteirões e um bebê” (1987), uma investida bem diferente de seu trabalho na ficção científica, e apareceu em filmes feitos para a televisão. Recebeu uma indicação ao Emmy por “Golda” (1982), em que viveu o marido de Golda Meir, a primeira-ministra de Israel, encarnada por Ingrid Bergman. Foi a sua quarta indicação ao Emmy — as outras três foram pelo seu trabalho em “Star trek” —, mas ele nunca chegou a vencer o prêmio.

O casamento de Nimoy com a atriz Sandi Zober acabou em divórcio. Ele deixa dois filhos, Adam e Julie Nimoy; um enteado, Aaron Bay Schuck; seis netos; um bisneto; e um irmão mais velho, Melvin.

Fonte: O Globo © 1996 – 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

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