X-Men homenageia Star Trek

Resenha do site – X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Por Flávio St Jayme | maio, 25 de 2014

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X-Men-Dias-de-um-Futuro-Esquecido1Não é exagero dizer que foi em 2000 que Bryan Singer cimentou as fundações de dois acontecimentos que iriam mudar a história do cinema moderno com o primeiro filme da saga dos X-Men. Ali, Singer lançava, não só as histórias dos mutantes na tela grande, mas também embasava o que seria a grande influência para todos os filmes de super-heróis que se seguiram e viraram um gênero próprio no cinema.

Ainda há quem diga que um filme de super-herói nunca será nada além disso. Puro preconceito. Se Singer não tinha conseguido provar isso às audiências mais incrédulas, Christopher Nolan conseguiu, com sua trilogia do Cavaleiro das Trevas alcançando patamares inimagináveis em qualidade cinematográfica. Um bom filme é feito de diversos fatores somados, e tanto Singer quanto Nolan conseguiram somá-los e ir além.

Um bom texto, bons atores, uma trama envolvente, cenas belamente fotografadas, tensão, uma pitada de comédia, uma outra de romance… em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido tudo isso trabalha em nome de uma unidade que resulta espetacular. Mutantes do passado e do futuro, uma trama que mexe na história mundial e brinca com acontecimentos históricos e viaja o mundo, a metáfora da perseguição ao diferente que está presente desde o primeiro filme. Tudo só vem somar em um filme que é o melhor filme de heróis desde O Cavaleiro das Trevas Ressurge. De lá pra cá, uma pá de filmes de gente superpoderosa foi lançada no cinema, mas os mutantes conseguem se sobressair sobre todos. Como?

No início das divulgações de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, a maior preocupação dos fãs era o amontoado de mutantes anunciados para o filme. O roteiro de Simon Kinberg amarra tudo (e todos) de forma tão singular e interessante que absolutamente nenhuma confusão com relação a isso resta em cena quando o filme começa. Cada personagem tem sua função bem explicada e bem clara. Cada mutante tem seu poder bem demonstrado e utilizado. E mesmo com muitos deles numa mesma cena, fica claro quem é quem, o que e porquê está fazendo cada coisa. Sim, mutantes tem pra todos os gostos: Wolverine, Tempestade, Kitty Pride, Bishop, Homem de Gelo, Blink, Apache, Mancha Solar (sim, o mutante brasileiro), Magneto e Professor Xavier em um campo, no futuro. Fera, Mística, Mercúrio, Wolverine, Xavier e Magneto (sim, eles de novo, em versão mais jovem), em outro, no passado.

Na trama, em 2023, Kitty envia a consciência de Wolverine de volta para seu corpo no passado. Mais precisamente em 1973, onde ele terá que impedir que Mística mate o industrial Bolivar Trask (Peter Dinklage, de Game of Thrones). Trask desenvolveu robôs capazes de identificar e matar mutantes, e isso levará a uma guerra que envolverá também humanos em uma devastação de nível global. O estopim desta guerra é este assassinato, e por isso Xavier manda Wolverine para encontrar sua versão do passado e a de Erick/Magneto, para que juntos convençam Mística a desistir do ato. Parece confuso, mas tudo é orquestrado de forma tão competente que raríssimas vezes passado e futuro se misturam em cena. E sempre sabemos exatamente em que época estamos, seja pelos personagens, pelo figurino ou pelas referências.

A história de Dias de um Futuro Esquecido vai se construindo tão bem que esperamos ansiosos pelas modificações do passado afetarem o futuro. Vemos Mercúrio protagonizar uma das mais belas cenas com o efeito bullet time talvez desde sua propagação em Matrix. Vemos Erick/Magneto em sua habitual megalomania. Vemos Mística afundar em sua sede de vingança. Ouvimos Roberta Flack, Jim Croce, Alice Cooper, Quincy Jones e vemos camisetas do Pink Floyd. Tudo é tão bem amarrado e vai sendo erguido com tanta perfeição que em determinado momento, Dias de um Futuro Esquecido deixa de ser um filme de super heróis. Referenciando os filmes anteriores (e se esquecendo de alguns fatos também), ele vira um thriller político onde a aprovação ou não de uma arma de destruição de massa está em jogo.

E é este o maior trunfo do filme de Singer. Ao não se ater ao gênero “filme de super-herói” e não criar apenas um filme onde explicações estapafúrdias intercalam cenas de ação descontrolada (como em Capitão América ou Homem Aranha); ao apresentar uma trama elaborada com personagens tão reais e críveis quanto qualquer um de nós em suas emoções e aspirações; ao desistir de destruir cidades em detrimento de cenas menores porém não menos impressionantes, o diretor cria um épico. Um filme que ultrapassa a maioria das definições de gênero. Como Christopher Nolan em O Cavaleiro das Trevas Ressurge (última parte de sua trilogia do Batman), Singer cria personas que, não fossem os poderes ou fantasias, seriam plausíveis de encontrarmos em qualquer esquina, com dramas pessoais tão fortes quanto em qualquer filme pequeno e independente por aí.

Dias de um Futuro Esquecido não exagera. Não é multicolorido, não é elétrico. É um filme que segue seu ritmo, que consegue distribuir seu tempo de forma quase igualitária entre seus vários protagonistas. É um filme com cenas de extrema beleza plástica, de diálogos fortes e tensos, de gente real que demonstra o medo de ser diferente da mesma forma que qualquer um de nós pode sentir. É um filme que, como nenhum outro de super-heróis, nos aproxima de seus personagens de forma incontestável, afinal quem de nós nunca se sentiu diferente ou vítima de preconceito? E nisso todos os filmes dos X-Men miram e acertam em cheio. Se O Confronto Final de 2006 é a maior representação deste preconceito metaforizado, é com Dias de um Futuro Esquecido que ele é levado ao extremo e, como em um holocausto que exterminará mutantes e não mutantes, testemunhamos estarrecidos como uma guerra pode começar e terminar por causa apenas do “medo ao diferente”.

Curiosidades:

– O mutante brasileiro Mancha Solar aparece logo no início do filme na primeira luta com os sentinelas. Roberto da Costa nasceu no Rio de Janeiro e tem o poder de absorver a energia solar e transformá-la em arma. No filme, é interpretado pelo mexicano Adan Canto.

mancha solar

– Alguns erros e faltas de explicações foram notados pelos fãs, como o fato de Xavier estar “de volta à vida” ou das garras de Wolverine estarem intactas após terem sido destruídas em Wolverine Imortal. No entanto, existe uma lacuna temporal, onde novos filmes poderão ser encaixados para explicar estas ausências. Como o próprio X-Men: Apocalipse, já anunciado para 2016 e que se passará na década de 80. Outra explicação são que tudo se passou em linhas temporais alternativas, as tais “pedras no rio” que Hank cita em determinado momento.

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– Pra muita gente os filmes ignoraram Wolverine Imortal, porém na cena em que o mutante acorda em 1973 podemos ver referências ao Japão (onde se passa o filme) como espadas samurais e um desenho do Monte Fuji.

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– Se o desenhista Stan Lee ficou de fora de sua usual ponta nesta produção, desta vez quem dá as caras é o próprio diretor Brian Singer, que aparece em uma cena filmando Mística com uma câmera Super 8. Além dele, também é possível ver Len Wein (criador de vários mutantes icônicos, incluindo Wolverine) e Chris Claremont (o escritor da história original de Dias de um Futuro Esquecido adaptada para o filme).

Len Wein

– O fato de que Mercúrio é filho de Magneto é enfatizado em uma piadinha rápida do mutante mais novo, ao dizer para Magneto que “Sua mãe costumava sair com um cara com os mesmos poderes que ele”.

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– Em uma das cenas, personagens aparecem assistindo na TV a um episódio de Star Trek. O episódio sendo exibido, The Naked Time, fala justamente de viagem no tempo.

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– Na cena pós créditos vemos o mutante Apocalipse sendo reverenciado pela população e erguendo uma pirâmide com o poder da mente. Podemos situar esta cena há 3000 anos atrás. E é ela quem dita o tom da sequência que está por vir: Apocalipse tem praticamente todos os poderes dos outros mutantes, além do fato de ser imortal. É um mutante que luta para controlar o mundo e seus inimigos são que apareça em seu caminho. Ele também controla os quatro cavaleiros do Apocalipse, que aparecem ao fundo nesta cena: Peste, Fome, Guerra e Morte.

apocalypse

 

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Fonte: pausadramatica

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