Aniversário: Salvador como capital do Império

Entenda melhor Salvador como capital do Império

Pesquisa e texto: Malany Tavares
malany.tavares@redebahia.com.br

A geografia da cidade, dividida em alta e baixa, favoreceu sua escolha como primeira capital do Brasil

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SALVADOR : CAPITAL DO IMPÉRIO LUSITANO

No dia 1º de novembro de 1501, uma expedição que saiu de Portugal chegou a Salvador para conhecer as terras descobertas por Pedro Álvares Cabral, no ano anterior. O grupo de navegantes chegou a Salvador no dia em que é comemorado o dia de Todos os Santos no calendário católico e, por conta disso, a baía foi batizada com esse nome. O cartógrafo Américo Vespúcio também estava presente e nomeou os locais descobertos de acordo com os santos dos dias. Boa parte da prata produzida na Bolívia era recebida por um porto que ficava na Baía de Todos os Santos, durante o século XVI. Esse foi o maior e mais importante porto de exportação do Hemisfério Sul.
“O local foi escolhido pela localização estratégica, em local alto, e pela facilidade do envio de reforço da Metrópole, em caso de invasão estrangeira, além da excelente navegabilidade da Baía de todos os Santos”, explica o professor de História Vicente Teixeira.

GEOGRAFIA DA CIDADE INFLUENCIOU NA ESCOLHA COMO CAPITAL

A escolha de Salvador como sede do governo português foi devido ao fato da cidade ser localizada no alto, o que facilitava a defesa contra invasões e ataques estrangeiros. Isso fazia da cidade uma fortaleza natural. A princípio, as casas dos portugueses foram construídas com muros de pedras, com a ajuda dos Tupinambás. “A localização da cidade-fortaleza foi pensada a partir da facilidade de defesa e de ataque a tropas estrangeiras. Com esse intuito, Tomé de Sousa escolheu a colina acima da enseada da Conceição onde desembarcou”, afirma o professor Vicente.

TOMÉ DE SOUZA DESEMBARCOU EM SALVADOR EM 29 DE MARÇO DE 1929

Ao chegar a Salvador no dia 29 de março de 1549, o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, atracou suas embarcações na praia do Porto da Barra. Nesse dia, ele fundou a atual capital baiana e, com ordens de Dom João III, Rei de Portugal, fez dela a primeira capital do Brasil e sede do governo português.

Quando desembarcou nas terras baianas, Tomé de Sousa foi recebido por Diogo Álvares, que havia naufragado nas águas da Baía de Todos os Santos em 1509, e fora acolhido por uma tribo de índios Tupinambás que vivia na região. Atualmente, a Barra abriga duas construções daquela época. Os fortes de Santo Antônio e Santa Maria. Alguns anos antes da fundação de Salvador, especificamente em 1536, o primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, chegou e fundou o Arraial Pereira onde hoje em dia é a Ladeira da Barra.

NOME DA CIDADE É REFERÊNCIA À RELIGIÃO DOS COLONIZADORES
No dia 26 de abril de 1500, quatro dias após a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, foi celebrada a primeira missa no país, realizada pelo Frei Henrique de Coimbra. O momento é descrito através da carta que Pêro Vaz de Caminha enviou a Dom Manuel I, então Rei de Portugal, anunciando a descoberta da Terra de Vera Cruz (Brasil). Com a chegada de frotas portuguesas com o objetivo de permanecer no Brasil e colonizar os índios, os lusitanos acreditaram que os nativos teriam facilidade em aderir o catolicismo, porém, se enganaram.

De acordo com o professor de História Vicente Teixeira, o Cristianismo era àquela altura a religião oficial de Portugal e da maioria das monarquias européias, tendo sido, inclusive utilizado como justificativa para o processo de colonização. “É importante lembrar que naquele momento, ainda queimavam-se hereges nas fogueiras da santa inquisição’, ressalta. A   religião católica chegou ao Brasil junto com a expedição liderada por Tomé de Sousa. Junto com ele vieram missionários e membros da Companhia de Jesus, chefiados pelo Padre Manoel da Nóbrega.

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PORTO DA BARRA FOI PRIMEIRO POVOADO DA CAPITAL
No ano de 1536, antes mesmo da fundação de Salvador, chegou às novas terras o primeiro capitão donatário.  Francisco Pereira Coutinho foi o fundador do Arraial do Pereira, conhecido também como povoado de Vila Velha, localizado na parte mais baixa da cidade. Atualmente, essa região fica entre o Farol e o Porto da Barra.

A cidade foi construída a princípio na Vila Velha, mas depois ganhou outras proporções e foi parar onde hoje é o tradicional bairro da Vitória. Como algumas outras capitais do mundo, por exemplo, Atenas, Salvador foi dividida em duas partes: a Cidade Alta e a Cidade Baixa. Após ter fundado o Arraial do Pereira, Coutinho teve um fim trágico. “Ele foi morto pelos índios, mas seu  companhante de viagem, Diogo Álvares, o Caramuru, foi poupado”, conta o professor  Vicente.

CARAMURU RECEBEU TOMÉ DE SOUZA

Antes de ser fundada em 1549 por Tomé de Sousa, Salvador já era ocupada por brancos. No ano de 1510, o navio em que estava Diogo Álvares Correia naufragou e, a partir daí, ele passou a viver nas terras soteropolitanas. Anos depois, em 1536, o capitão donatário Francisco Pereira Coutinho chegou a Salvador e fundou o Arraial do Pereira, conhecido também como povoado de Vila Velha. O arraial foi fundado com o auxilio de Diogo que, ao ser “adotado” pelos Tupinambás, recebeu o nome de Caramuru.

O capitão Coutinho maltratava os índios, não dando ouvidos aos conselhos de Caramuru, que prezava por uma convivência pacífica com os Tupinambás. Certa vez, os índios desviaram a água de um rio e os deixaram sem água. Com receio do que pudesse acontecer depois, Coutinho fugiu para Porto Seguro. Após um tempo, Caramuru o convenceu a voltar para o povoado, mas o navio em que eles estavam bateu em um rochedo na Ilha de Itaparica. Para o azar da tripulação que sobreviveu ao acidente, a região de Itaparica era habitada por Tupinambás antropófagos, ou seja, que comiam gente. Coutinho foi devorado pelos índios, mas Caramuru conseguiu de salvar. “Ele se envolveu com várias mulheres Tupinambás e se casou na igreja católica com a índia Paraguaçu, que foi batizada com o nome de Catarina”.

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IMPONENTE PALÁCIO RIO BRANCO JÁ FOI BARRACÃO COBERTO DE PALHA
O Palácio Rio Branco foi construído no século XVI, pelo então governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, para ser a sede administrativa de Salvador. A obra foi construída pelo português Luís Dias e era feita de barro e palha. Em 1859, durante uma visita à Bahia, Dom Pedro II ficou abrigado lá.

Segundo o professor de História Vicente Teixeira, o Palácio teve várias funções. “Já foi o antigo endereço do poder
central, depois estadual. Além da atual prefeitura e da Câmara municipal, já foi a antiga Casa da Câmara e até uma prisão”.

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PLANTIO DE ALGODÃO E CANA-DE-AÇÚCAR ERAM ATIVIDADES AGRÁRIAS DA ÉPOCA
A principal atividade agrária desenvolvida no entorno de Salvador, antigamente, era o plantio de algodão e cana-de-açúcar. Ao aportarem na capital, os escravos vindos da África eram destinados ao trabalho nesse setor. Por ter uma localização estratégica muito boa, o porto de Salvador era ideal para exportar açúcar para o Atlântico.
O estado também era produtor de algodão, porém em menor quantidade. “Nas terras doadas no sistema de sesmarias,
plantavam algodão e cana-de-açúcar, além da posterior criação de gado. É importante frisar que a Bahia chegou a ser uma das maiores produtoras mundiais de cana”, lembra o professor de História.

ATAQUE DOS HOLANDESES FOI O MAIOR SOFRIDO POR SALVADOR

Em função da riqueza econômica, Salvador sempre esteve ameaçada. O ataque mais violento sofrido foi por parte dos holandeses, em 1624, interessados no comércio do açúcar, sendo que antes eles já haviam invadido o país em 1598. No início do século XVII, foram registrados vários bombardeios ao porto. No ano de 1638, os holandeses, sob o comando de Maurício de Nassau, novamente invadiram Salvador em busca das riquezas geradas pelo açúcar. De acordo com o professor Vicente, Salvador sofreu com a primeira tentativa holandesa de instaurar no Brasil, uma colônia com o intuito de controlar a produção de cana-de-açúcar. “Tendo sido expulsos em 1625, os holandeses retomaram o projeto em 1630, a partir de Recife e Olinda (lá o domínio durou até 1654, e estendeu-se até o Maranhão)”.

LIMITES DA CIDADE HOJE

Os limites originais de Salvador eram bem diferentes de hoje, a cidade era cercada por fortalezas e tinha portas de entrada (Carmo, Misericórdia, São Bento).  Atualmente, as cidades que fazem limite com Salvador são: Lauro de Freitas, Simões Filho e Candeias.

Fonte: Portal ibahia

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